7 de set de 2008

Flying Shark (Toaplan / Taito - 1987) Arcade

Aproveitando o clima de retrospectiva, nostalgia e aviões antigos, vou falar sobre Flying Shark, que é considerado por muitos um marco na história dos shmups e que veio a definir as principais características do estilo nos anos que se seguem.

Também conecido como Hishou Zame (飛翔鮫) ou Sky Shark (versões americanas, como a de NES), as principais características deste shmup são o minimalismo, capricho nos detalhes e a dificuldade extrema. Tudo em Flying Shark parece ter passado por um ajuste fino, cortesia da parceria Toaplan / Taito, que era algo invejável na época pois se tratavam de dois gigantes (hoje em dia a Toaplan "morreu" e a Taito nem é tão gigante assim, mas continua produzindo bons jogos).

Houveram versões para praticamente todas as plataformas da época, como Amiga, Commodore 64, PC, ZX Spectrum, Amstrad, Atari ST, X68000, FM Towns e NES. A grande maioria das versões conseguiu capturar bem a mecânica e a dificuldade do jogo, porém, a beleza dos gráficos e da música não foi fielmente transportada para nenhuma delas. Nada se compara a jogar a versão Arcade. Em uma máquina de Arcade, de preferência. Eu pude jogar, nos idos de 88 a 90, no Shopping Iguatemi, e considero-me um privilegiado. Lembro bem que a máquina ficava entre Arkanoid e Gladiator, outros dois favoritos. Havia uma Black Tiger por perto também, a qual eu dividia metade das fichas compradas, sendo que a outra metade ficava com Flying Shark.


Tanques, biplanos, um rio barrento e uma arma que dispara 1 tiro à cada 2 segundos... o que mais um homem pode querer?


O jogo é um shmup vertical sem muitas opções. Você pode capturar power-ups (as letras "S" que vem voando quando se destroi uma fileira de biplanos vermelhos) ou bombas, que aparecem aleatoriamente quando se abate inimigos. Os power-ups aumentam de forma lenta e gradual o poder-de-fogo e só há uma arma. As bombas praticamente limpam a tela toda, porém, fazem mais estrago no local onde explodem. É possível ganhar bônus matando fileiras de biplanos amarelos. Há inimigos grandes como tanques, navios, bombardeiros lentos que surgem por trás e bunkers com artilharia anti-aérea espalhados pelo cenário. Também é possível destruir o topo de morros para revelar garagens de tanques, o que acaba atrapalhando um bocado, pois eles todos começam a atirar em você assim que surgem.


Você deve estar pensando: -"Porque raios este sujeito falou tão bem de Flying Shark nos parágrafos anteriores sendo que o jogo parece só mais um shmup bobo, antigo e sem-graça?" A resposta está no termo ajuste fino, que também foi citado lá em cima. Flying Shark não conta com tempestades de tiros, nem com apelo visual, nem com inimigos que tomam a tela toda, muito menos com um poder-de-fogo absurdo capaz de varrer a tela. Ele é um jogo único pelo capricho em que tudo foi planejado. Os inimigos tem o dom de mandar um tiro no local exato onde seu avião vai estar dentro de 2 segundos. E não são milhões de tiros, é um só! Os chefes precisam de muitos tiros para morrer... e se você pensa que as bombas vão salvar sua vida, está muito enganado! Elas danificam bem as máquinas maiores, mas em muitos casos só vão te dar algum tempo para respirar. A cadência com que os inimigos entram na tela, já mirando e atirando em você, é algo fantásticamente difícil, cruel e sádico. O jogo requer ATENÇAO PLENA E ABSOLUTA em 100% do tempo, caso contrário, você vai acabar morrendo à rodo. Este não é um jogo para quem gosta de shmups. É um jogo para quem quer desafio. Não tem muitos recursos, nem um speed up seu avião tem (e olha que isso seria ótimo!), e os inimigos vem em grande escala.


Vai se acostumando a olhar pra essa tela...

Aí, novamente, você vai dizer: -"Que porcaria! Se o jogo é tão difícil assim, por que jogá-lo?" Só posso garantir que Flying Shark é divertido na mesma proporção que é difícil. Os poucos recursos fazem uma curva de aprendizado rápida, onde o jogador (depois de apanhar um bocado no começo), já passa a dominar as noções básicas em pouco tempo e passar com certa facilidade o começo do jogo. Os inimigos são muito bem-programados, porém, tem suas limitações, e quando você descobre como estas limitações funcionam e passa a explorá-las, o jogo ganha uma nova dimensão. Exemplos: Os aviões quase não fazem curvas. Se você não pode derrubá-los, apenas desvie. Os tanques não conseguem virar as torres rápido o suficiente para te atingir, e só atiram quando você está na mira... portanto, continue se mexendo! Alguns bunkers não atiram "para cima", portanto, fique exatamente em cima deles e atire.

Vamos aos números de Flying Shark...

Gráficos: 9.0

O jogo tem gráficos lindos para a época. Os cuidados com cores, sombras, colisão de sprites, com um mínimo de slowdown possível. Alguns sprites são realmente grandes, outros são enormes (se é que são sprites), e tudo se comporta muito bem ao mesmo tempo na tela. O jogo só não ganha um 10 pois Flying Shark não inovou muito. Os inimigos são muito repetitivos, alguns apenas mudam as cores, outros simplesmente aparecem várias e várias vezes em seguida. Quase perfeito, o que não quer dizer que não seja excelente!

Som: 9.0

Assim como a série 194X, Flying Shark tem músicas apropriadas. É uma melodia com som de marcha militar, instrumentos em FM, rápida e adequada. Não me lembro de ter outro jogo, naquela época, que casasse tão bem com a música. Alguns instrumentos são meio estridentes e algumas músicas parecem repetir-se várias vezes, mas no geral é um ótimo trabalho.

Desafio: 10.0 (mas podia ser 11!)

Se tem um shmup casca-grossa, seu nome é Flying Shark. Eu diria que todo mundo devia tentar jogar ele pelo menos uma vez na vida, só para poder ter como referencial. Se você é um jogador de shmups do tipo "liga-júnior", que gosta de armas grandes e inimigos burros, esqueça este jogo. Se você quer desafio, achou o jogo perfeito.

Diversão: 10.0

A palavra "Classico" se encaixa bem. Quem jogar Flying Shark vai entender o porquê de ele ter sido lançado para tantas plataformas, de ter sido inspiração para tantos jogos e de ser tão jogado até hoje. Quem conseguir suportar o treinamento alá "Pai Mei" das primeiras horas de jogo, vai ver que é um jogão que ninguém deve deixar de dar uma olhada.

Overall: 9.5

Um clássico sem dúvida. Dá vontade de comprar a máquina de arcade pra colocar na sala.

Pontos interessantes:

- CPU: Um 68000 + Z80 + 320C10 + um YM-3812 para o som.
- A Continuação saiu para Mega Drive e Arcade, com nome de Same! Same! Same! (ou Shark! Shark! Shark!).
- A versão americana (Sky Shark) é uma das placas de arcade mais difíceis de se fazer manutenção, especialmente dessoldar os chips. O mesmo problema não ocorre com a japonesa.
- O jogo tem ligação com Batsugun, outro título da Toaplan, que curiosamente é o oposto total de Flying Shark. É um jogo extremamente fácil, com apelo visual e armas monstruosas que varrem a tela. Mas é um shmup muito bom!
- Segundo a história de Batsugun, o piloto do avião de Flying Shark se chama Rom Shcneider.
- A versão de X68000 é quase tão boa quanto a de Arcade, e é um pouco mais fácil. Quem quiser tentar jogar Flying Shark Light, é a que eu recomendo.
- A versão de Amiga e Atari ST é tenebrosamente horrível. O hardware é quase o mesmo e eles conseguiram dar um downgrade terrível no jogo. Não vale nem colocar o vídeo aqui. Já a versão de ZX Spectrum é bem legal, levando em consideração o hardware, e vale muito à pena ser jogada.
- Há também para Mega Drive e Arcade um jogo chamado Fire Shark. Não consegui cruzar informações para confirmar se é o mesmo jogo que Same! Same! Same! ou não. Update: Sim, Fire Shark e Same! Same! Same! são o mesmo jogo !

2 comentários:

Anônimo disse...

Mas afinal de contas, onde consigo baixar essa lenda pro meu pc? tem como?
Eu jogava direto na máquina e depois nunca mais vi...

Anônimo disse...

Onde consigo este game? a última vez q joguei foi em 1992..morro de saudades.

se alguém souber me informe nesse e-mail por favor

kasadosite@globo.com